Bem vindo a Isto
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Bem vindo a Isto! E digo “Isto” porque não existe bem uma palavra que consiga definir o que estamos a fazer, pois claro isso acontece porque na verdade não está bem definido … Podemos chamar projeto ? Mas isso é quase tão amplo como chamar coisa … Tendo em conta esta indefinição do que o Bem Pensado engloba e representa na sua totalidade, vou me focar no pouco que vos sei definir.

Bem Pensado é produto da perceção do contraste entre a vida quotidiana em Copenhaga e Portugal. E esta perceção e comparação entre duas sociedades tão distintas, mas baseadas em valores tão semelhantes, leva claramente a um aprofundamento intelectual infindável, que vai desde a análise das coisas mais simples como quão limpa uma cidade é ou quão rápidos os serviços são, até aos temas mais complicados como políticas de habitação, fiscais e de emigração

Perante isto, aparece constantemente a pergunta “Mas porquê estas diferenças?” Se as diferenças avaliadas se referem a algo que diretamente se traduz em qualidade de vida, essa não é a pergunta difícil de responder. A verdadeira pergunta é “Como?” E este “como” engloba :
- Como o fizeram perante as condições dinamarquesas (estado atual, história, recursos, adversidades, etc)?
- Isto faz sentido nas condições portuguesas e necessidades do sistema atual português?
- Se sim, como se faria? Se não, porquê que não se consegue ou não faz sentido?
Esta busca incessante por perceber as diferenças de organização da sociedade e usar isso em prol do progresso da sociedade portuguesa, é o que é simples de definir no Bem Pensado. Nós acreditamos que o ambiente social e geográfico em que cada um cresceu, a sua área profissional, as suas paixões e as experiências pessoais de cada um são extremamente valiosas para este projeto, sendo que permite ter interesses, sensibilidades e análises completamente distintas relativamente ao mesmo evento observado ou assunto abordado. Devido a isso, conto-vos onde a minha busca começou.
A minha experiência logo no primeiro dia em que cheguei à Dinamarca, demonstrou-me que teria muito para observar, aprender e raciocinar.
Nesse primeiro dia tinha marcação para a minha autorização de residência e também para o registo de cidadão na Dinamarca. Habituado ao sistema português, marquei ambas o mais espaçadas possível, uma de manhã cedíssimo, vamos dizer 8:17 (escolhi uma hora não múltipla de 5 ou 10 minutos propositadamente, as horas eram mesmo assim), outra o mais tarde possível, vamos dizer 15:33 (sendo que aqui às 16 as pessoas saem dos seus trabalhos). A verdade é que às 8:37 já estava tudo tratado da primeira marcação. Fiquei livre das 8:37 às 15:33. Isto foi o meu primeiro momento que veio a pergunta que se tornou constante desde que estou cá: -“Como?” . Englobando as 3 partes mencionadas antes.
Neste caso o “Porquê?” é ignorado automaticamente sendo que as vantagens são inerentes ao que foi experienciado.

A partir daqui a minha atenção ficou mais apurada, tanto para perceber este primeiro “Como?” que me apareceu, como para tantos outros “Porquê?”s e “Como?”s que foram aparecendo no dia-a-dia.
Ao andar nas ruas, apercebe-se a quantidade de famílias jovens com 3 filhos com uma diferença de idades muito curta, que faz imediatamente pensar como o estado dinamarquês está a incentivar à resolução do problema da natalidade… Ver como os carrinhos dos bebés são deixados à porta de lojas, com os bebés lá dentro durante o inverno, tanto demonstrando uma grande confiança na segurança da sociedade estabelecida, como no fortalecimento do sistema imunitário em idades precoces. Ao falar com dinamarqueses, apercebes-te que eles se referem ao Estado ou à sociedade com “Nós” em vez de “o Estado” ou “o governo”, ao ver o planeamento a longo prazo do país percebe-se que eles estão preocupados com 20 anos de antecedência em temas como habitação e transportes, intimamente ligados, enquanto em Portugal, raramente são associados como temas complementares e interdependentes. A quantidade de crianças a partir dos 14/15 anos a que se vê a trabalhar em supermercados, ou lojas ou restaurantes é impressionante e faz pensar como eles conseguem ter uma parte dos trabalhos não qualificados preenchidos por trabalhadores part-time que ainda estudam.
Só a observação do que nos rodeia, permite-nos detectar muitas diferenças que fazem com que no resultado final, a Dinamarca seja um dos países mais ricos, com maior estabilidade e maior desenvolvimento na Europa, enquanto Portugal continua estagnado, que num mundo globalizado se traduz num atraso recursivo, perda de qualidade de vida das pessoas, que leva a instabilidade em todas as perspectivas.
Está assim claro que o nosso motor é o “Porquê?” e o “Como?”, que é facilmente gerado pela atenta observação do dia-a-dia, levando à procura de respostas, e pensamentos contínuos sobre certos temas. Temos como objetivo, expor, discutir e refletir sobre esses pensamentos. Caso estejam certos ou errados, são extremamente importantes.
Portanto, bem vindos a Isto, muitos temas serão falados, muitas barbaridades serão ditas, mas o objetivo final é perceber todas as complexidades que uma sociedade exige para funcionar bem, traduzindo-se num aumento de qualidade de vidas das pessoas, e claro perceber como o fazer em Portugal.
— Tiago Silvério